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Antes de Entrar Aristóteles

Tudo se há-de passar como se estivéssemos no Liceu

Tudo se há-de passar como se estivéssemos no Liceu

Antes de Entrar Aristóteles

30
Jul17

Maria Teresa Horta e José Tolentino Mendonça

Ricardo Nobre

Saiu ontem, na revista E do Expresso, uma entrevista a Maria Teresa Horta, poetisa com um percurso poético consistente que publicou recentemente Poesis (Dom Quixote). Este grandioso destaque é acompanhado por uma crítica feita por José Mário Silva (quatro estrelas).

Na mesma secção da revista, é recenseado outro livro de poesia (Teoria da Fronteira, publicado pela Assírio e Alvim), do poeta, teólogo e professor, José Tolentino Mendonça (também colaborador do Expresso, em cuja revista semanalmente escreve prosa poética).

Dos três livros criticados esta semana, dois são portugueses. Poesia.

28
Jul17

Não se esqueceram

Ricardo Nobre

Desde que comecei a contagem-síntese neste blogue, esta é a primeira semana em que a literatura portuguesa tem uma forte (ia escrever fulgurante) presença no suplemento «Ípsilon» do Público.

Começa com um (excelente) texto de Isabel Lucas sobre o (excelente) autor de As Pessoas do Drama (e de Impunidade): H. G. Cancela (pp. 24-26). As Pessoas do Drama merece, aliás, quatro estrelas e meia na apreciação daquela jornalista.

Na secção da crítica, são atribuídas cinco estrelas a dois livros portugueses.

Atrás do Expresso, Hugo Pinto Santos faz a crítica aos Últimos Poemas de José Miguel Silva (pp. 27-28). No âmbito da narrativa, A Mulher-Sem-Cabela e o Homem-do-Mau-Olhado, de Gonçalo M. Tavares tem recensão de Maria da Conceição Caleiro (pp. 28-29).

Este número do «Ípsilon» faz ainda a crítica (por Mário Santos) à tradução que Daniel Jones fez de Henry James, O Que Maisie Sabia.

22
Jul17

Dois de cinco, mas com Agustina

Ricardo Nobre

A edição da E (revista do Expresso) de hoje dá brado da publicação das obras A Sibila e Dentes de Rato na Relógio D’Água, a mais prestigiada casa editora portuguesa, que publica a obra de Agustina Bessa-Luís.
Na secção da crítica, os Poemas Quotidianos, de António Reis, reeditados pela Tinta-da-China, merecem quatro estrelas de José Mário Silva. O romance (sic) de 86 páginas Ela: Pedaços de Verniz no Chão, de Isabel Guerra Loureiro, tem quatro estrelas de Luísa Mellid-Franco. 
É de salientar, ainda, que Pedro Mexia escreve sobre Humidade, do brasileiro Reinaldo Moraes, a quem atribui duas estrelas. O Fim de Onde Partimos, de Megan Hunter, e Lamento de uma América em Ruínas, de J. D. Vance, são os outros livros recenseados.
Esta semana, dos cinco livros da crítica, dois são portugueses e um outro de língua portuguesa.
NB: A questão da representação de escritores portugueses no Público e no Expresso (amostra limitada à minha leitura) voltará a ser considerada neste espaço com maior profundidade. O objectivo destes textos não é diminuir ou recusar o interesse das matérias sobre as quais os jornais (dentro da sua linha editorial) livremente publicam.
21
Jul17

Não há escritores portugueses

Ricardo Nobre
O «Ípsilon» (suplemento cultural do Público) de hoje refere-se a quatro livros, três dos quais na crítica. O único livro português é a recolha de reportagens que a jornalista do Público Isabel Lucas fez nos Estados Unidos da América.
A ausência da literatura portuguesa das páginas deste jornal é notória.
NB: A questão da representação de escritores portugueses no Público e no Expresso (amostra limitada à minha leitura) voltará a ser considerada neste espaço com maior profundidade. O objectivo destes textos não é diminuir ou recusar o interesse das matérias sobre as quais os jornais (dentro da sua linha editorial) livremente publicam.
20
Jul17

José Hermano Saraiva morreu há cinco anos

Ricardo Nobre
Mau grado as aparências, a televisão portuguesa tem exemplos assinaláveis de empenho na promoção da cultura, do ensino e do saber. Neste âmbito, houve uma personalidade de gestos mais largos que a sua pequena estatura que, pela paixão com que o fazia, palavras adequadas a todas as ocasiões, sem esconder a revolta contra o descuido e o desrespeito pelo património e pela brutalidade da ignorância, se tornou um modelo de professor.
A matéria que ensinava era história, e, nela, o que a história ensina: o orgulho no país, o justo apreço pelas fontes, o amor pela língua e a importância da preservação do passado. Contra ideias pré-concebidas, apresentando intuitiva e desabridamente hipóteses (umas mais fantasiosas que outras) alternativas, durante décadas, José Hermano Saraiva (1919-2012) foi falando com o telespectador sobre as nossas terras, batalhas, conquistas e derrotas, apresentando as figuras locais, nacionais e universais.
José Hermano Saraiva morreu faz hoje cinco anos e continua sem substituto na televisão nem na minha galeria de professores. Se os artistas vivem depois da morte eternizados na sua arte, os professores não morrem quando a sua lição foi aprendida.
 
Tenho muitas saudades suas, Professor.

Releitura recomendada:
De Ministro a Divulgador da História na Televisão (Lusa/Diário de Notícias)
Morreu o historiador José Hermano Saraiva (Lusa/Público)
Morreu José Hermano Saraiva (Anabela Natário e Valdemar Cruz, Expresso)
José Hermano Saraiva, o contador de História (Luís Miguel Queirós, Público)
Funeral de José Hermano Saraiva realiza-se este sábado (Lusa/Público)
Funeral de José Hermano Saraiva realizou-se hoje (Lusa/Diário de Notícias)
Reacções à morte de José Hermano Saraiva (Expresso)
José Hermano Saraiva Sem Medo da Morte (Elisabete Silva, Diário de Notícias)
Um Homem Que Fará Falta (Joel Neto, Diário de Notícias)
O Pesar à Morte do Professor José Hermano Sariva (José Carvalho, Diário de Notícias)

15
Jul17

Quatro em seis

Ricardo Nobre

Duas semanas depois de o Público ter publicado no suplemento «Ípsilon» uma entrevista de José Riço Direitinho a David Machado, por ocasião do lançamento do romance Debaixo da Pele, a revista E de hoje publica a crítica ao livro, analisado por José Mário Silva. No «Ípsilon» de 23 de Junho, o livro recebia quatro estrelas; na E, todavia, apenas lhe são atribuídas três. Na mesma revista, suplemento do Expresso, Pedro Mexia recenseia os Últimos Poemas (atribuindo-lhe quatro estrelas), de José Miguel Silva, Luís M. Faria assina um texto crítico sobre Para Além da Crença, do nobilizado V. S. Naipaul, Sara Figueiredo Costa sobre Caderno da América Latina, de Eduardo Salavisa, e José Mário Silva sobre a banda desenhada Conversas com Putos, de Álvaro. A única classificação de cinco estrelas é de José Guardado Moreira a Viajante à Luz da Lua, do húngaro Antal Szerb.

Em síntese, dos seis livros recenseados, quatro são portugueses.

14
Jul17

Um de cinco

Ricardo Nobre

Além de um destaque na capa (o romance Swing Time, de Zadie Smith, que merece cinco estrelas) e de um texto de José Riço Direitinho sobre Livrarias, de Jorge Carrión, o suplemento «Ípsilon» do Público de hoje faz a crítica de três livros. Um é tradução de O Meu Nome era Eillen, da escritora croata Otessa Moshfegh e dois são portugueses: a correspondência de Luís Pacheco para Laureano Barros (editada pelo investigador João Pedro George) e o livro de poesia Dias Úteis (que recebe quatro estrelas e meia de Hugo Pinto dos Santos), de Patrícia Portela. Em síntese, de cinco livros, um é literatura portuguesa contemporânea.

10
Jul17

Por uns pagam os outros

Ricardo Nobre

Este blogue tem um mês e meio e já discutiu com o Público questões estilísticas, de divulgação cultural ou ignorância da História elementar de Portugal. Se o fez foi porque o Público é um dos jornais que mais leio, bem como o Expresso, ou seja, falei dos jornais que conheço, e não falei nem vou falar daqueles que não conheço. Considero ser meu direito, enquanto assinante dos jornais citados, e meu dever, enquanto cidadão, expressar desagrados e fazer comentários de diversa ordem sobre os jornais, tal como fiz com os transportes de Lisboa (porque são os que uso).

A diferença entre estes jornais e os transportes públicos é muito interessante: aqueles são privados e estes são públicos, embora todos façam serviço público. Considero um bem fundamental de uma democracia o direito à informação e, neste aspecto contrariamente a Henrique Monteiro, entendo que a mobilidade no interior do tecido urbano com a dimensão e complexidade de Lisboa (por exemplo, mas não exclusivamente) deve ser tarefa pública, já que o Estado legisla sobre níveis de poluição e protege-nos em caso de epidemias no espaço comum. Assim, é elementar que dentro da cidade o Estado promova, por empresas por ele directamente geridas, a mobilidade de massas de trabalhadores para o seu emprego (a poluição seria pior do que é, mas depois também haveria a necessidade de o dinheiro público construir mais parques de estacionamento) ou, no interior do país, o transporte das pessoas de aldeias e vilas sem todos os serviços (públicos e privados) para onde eles estão.

Quem tem outras condições utilizará serviços extras, mais caros, como o veículo próprio ou, caso tenha interesse em experiências antropológicas, um táxi ou a Uber. É claro que, neste cenário de serviços públicos mínimos de mobilidade, fica ausente uma empresa de aviões, bem como deveria ser o serviço de longo curso da CP. Em caso nenhum isto quer dizer que a Carris possa deixar um passageiro à porta do Hospital de Santa Maria mais de quarenta minutos porque o autocarro está a começar a carreira em Entrecampos e não na Quinta dos Barros.

Com as infra-estruturas acontece o mesmo: se o Estado (mesmo na sua projecção de câmara municipal) construiu e mantém estradas nacionais e itinerários principais, porque constrói, paga e faz a manutenção de itinerários complementares e auto-estradas?

Com a comunicação social acontece o mesmo: se a empresa pública de televisão tem um serviço que não me interessa, posso servir-me de outra. A diferença, neste caso, é que não é mais caro ver a SIC do que a RTP2 ou ouvir a TSF em vez da Antena 1 — mas exactamente o contrário. É legítimo, olhando para a contribuição do audiovisual na factura da luz, eu (que não tenho nenhum aparelho de televisão em casa e não ouço a rádio pública portuguesa) ou um assinante de televisão por cabo, perguntar porque estou a pagar isto ou porque está a pagar duas vezes.

Outro aspecto importante do papel do Estado tem que ver com a educação: a ideia da educação perfeita de um cidadão é muito, muito antiga na cultura ocidental, mas tinha a preocupação de formar um príncipe, um nobre, um cortesão. A ideia de que o povo tem de fazer parte desse processo, pois só assim se pode alicerçar a igualdade que sustenta a democracia, é muito mais recente e, em Portugal, teve a primeira tentativa quase universalizante no século xix. A educação é um princípio elementar que deve ser fornecido pelo Estado, mesmo que existam outras opções para escolher. E, neste caso, o Estado é a referência, embora se possam harmonizar currículos.

A saúde é um tema melindroso e que nem sempre é citado no meio dos serviços públicos porque não é posto em causa que cabe ao Estado zelar para que os seus cidadãos tenham imunidade por meio das vacinas ou garantir que cidadãos com doenças crónicas possam receber tratamentos que, de outro modo, não obteriam.

A circunstância de pagar sem usar (por não ter necessidade), em benefício da comunidade, é, afinal, o princípio dos impostos. No entanto, esses serviços não são melhores nem mais baratos (v.g., TAP) e não constituem uma verdadeira referência (v.g., RTP). Por outro lado, há serviços privados que fazem um serviço público melhor do que empresas públicas, não só porque (aparentemente) asseguram uma maior pluralidade. Sim, é o caso da TVI e da CMTV, cujo peso social é enorme, apresentando um serviço diferenciado e centrado naqueles a quem normalmente não é dada voz. Podem ser criticados pela exploração da degradação humana, mas sempre que uma pessoa aparece na televisão porque vive abaixo do «limiar da pobreza» (expressão que políticos não percebem porque não vivem com aquele subsídio que não paga uma renda) apenas nos estão a mostrar: vejam a importância que o Estado tem para que estes seres voltem a ser pessoas.

Tudo o que diz respeito à vida, à dignidade humana (ir para o emprego porque não pode pagar uma casa no centro da cidade mais cara do país é um requisito para a dignidade) e à formação do indivíduo tem de ser fomentado e gerido pelo Estado, mesmo admitindo concorrência1.

1 Seria positivo ou negativo ter uma empresa de autocarros concorrente da Carris em Lisboa? o que é que a Carris é mais do que a RTP ou a TAP? a própria segurança social tem a competição de centros paroquiais ou da Santa Casa da Misericórdia.

08
Jul17

Mais contas

Ricardo Nobre

Nas páginas da revista E, suplemento do Expresso de hoje, 8 de Julho de 2017, encontram-se vinte e uma sugestões de leitura de Verão. Dez são livros portugueses: Isabel Lucas, Viagem ao Sonho Americano (em realce), António Mega Ferreira, Itália: Práticas de Viagem, Cristina Norton, O Rapaz e o Pombo, Gonçalo M. Tavares, A Mulher-Sem-Cabeça e o Homem-do-Mau-Olhado, Patrícia Reis, A Construção do Vazio, Cristina Almeida Serôdio, A Casa das Tias (primeiro romance), Eduardo Lourenço, Da Pintura, Vilhena, Manual de Etiqueta, Gonçalo Pereira Rosa, O Inspector da Pide que Morreu…, Clara Ferreira Alves, Cena da Vida Americana.

Será que os jornalistas do Público percebem a diferença?

título e imagem de cabeçalho

O título deste blogue é uma expressão de Aquilino Ribeiro que ocorre na última frase do segundo volume de Luís de Camões: Fabuloso. Verdadeiro (Amadora: Bertrand, 1974; 1.ª ed. 1958), que se lê: «Tudo se há-de passar como se estivéssemos no Liceu antes de entrar Aristóteles.»
No cabeçalho, pormenor da «Escola de Atenas» (Scuola di Atene), de Rafael Sanzio, terminada em 1511. A imagem foi retirada dos Wikipedia Commons e encontra-se sob domínio público.

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