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Antes de Entrar Aristóteles

Tudo se há-de passar como se estivéssemos no Liceu

Tudo se há-de passar como se estivéssemos no Liceu

Antes de Entrar Aristóteles

24
Nov19

Dar voz a causas

Da série morde aqui sem gaguejar a ver se eu deixo

Ricardo Nobre

Todos nós temos as nossas causas, motivos por que entramos em conversas que não nos dizem respeito para «fazer um ponto». E lutamos por elas, saímos em manifestação, lemos as notícias e comentamos nos jornais, partilhamos nas redes sociais e, claro, escrevemos sobre elas em blogues.

Nem todas as causas têm a mesma importância em si, e muito menos para cada pessoa. A causa ambiental para a jovem Greta é muito mais importante para ela do que para mim, e eu, vítima da calçada de Lisboa há duas semanas, parece que prefiro que a edilidade arranje os passeios escorregadios e cheios de poças de água do que não destrua a Tapada das Necessidades (onde se pretende abrir restaurantes, empresas, quiosques), embora já tenha intuído que, sendo um sítio sem estacionamento, lá vão as árvores à vida porque o progresso medinoso quer passar (e os respectivos esgotos).

Por tudo isso, tenho alguma dificuldade em perceber — embora perceba — porque é que a causa palestina abriu um fosso entre a direcção de um partido e a sua única deputada. Não foi a saia do Rafael nem a imperceptibilidade do discurso que Joacine Katar Moreira proferiu no Parlamento durante a sua primeira intervenção da legislatura, nem mesmo o amor posto nos 900 € de salário mínimo — tudo motivos inócuos que levaram o Livre para o topo do debate semana após semana, sem uma ideia política (a lição que tenho tirado é que é um partido de causas, e por isso pouco político). Foi a Palestina, como se Joacine fosse Israel e Rui Tavares a Palestina. Conforme diria D. Dinis num célebre cantar de amigo, yeah, right.

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título e imagem de cabeçalho

O título deste blogue é uma expressão de Aquilino Ribeiro que ocorre na última frase do segundo volume de Luís de Camões: Fabuloso. Verdadeiro (Amadora: Bertrand, 1974; 1.ª ed. 1958), que se lê: «Tudo se há-de passar como se estivéssemos no Liceu antes de entrar Aristóteles.»
No cabeçalho, pormenor da «Escola de Atenas» (Scuola di Atene), de Rafael Sanzio, terminada em 1511. A imagem foi retirada dos Wikipedia Commons e encontra-se sob domínio público.

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