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Antes de Entrar Aristóteles

Tudo se há-de passar como se estivéssemos no Liceu

Tudo se há-de passar como se estivéssemos no Liceu

Antes de Entrar Aristóteles

18
Jun19

Dicionários

Ricardo Nobre

Os textos da colecção Philologia têm-se dedicado a quem se quer iniciar no estudo das línguas clássicas europeias. Por isso, ainda não houve qualquer menção de dicionário, visto que, no início da aprendizagem de uma língua, não deverá haver necessidade de consultar nenhum. Aconselho a sua utilização apenas depois de chegar ao fim de um método (o Reading Latin ou o Athenaze, por exemplo), no momento de fazer a transição para uma fase mais complexa do estudo.

Também na produção de dicionários de latim e grego Portugal está muitos anos atrasado em relação ao mundo ocidental.

Na colecção de dicionários da Porto Editora, há apenas dicionários de latim-português e português-latim (os volumes de grego-português e português-grego respeitam ao grego moderno e são desadequados para o clássico). São dicionários escolares e nem sempre conseguem dar resposta rigorosa às dúvidas que a leitura dos textos suscita. O mesmo se diga do famoso Torrinha (Dicionário Latino-Português, de Francisco Torrinha, obra de 1937, reeditada até 1945), que se encontra fora de mercado, sendo, ainda assim, relativamente fácil de encontrar em alfarrabistas ou em feiras de livros usados.

O Dicionário Grego-Português e Português-Grego, de Isidro Pereira, está esgotado (1.ª ed. 1951; última edição 1998). Era um dicionário com falhas, mas com menos problemas do que a que os helenistas portugueses gostavam de lhe apontar (apelidando-o de «O Crime do Padre Isidro»). É que a maior virtude do dicionário era existir, enquanto o principal defeito dos críticos é não terem produzido nada semelhante.

Assim sendo, latinistas ou helenistas portugueses recorrem a obras estrangeiras. Os franceses têm o Gaffiot (disponível gratuitamente aqui) e o Bailly, para latim e grego, respectivamente (ambas as obras têm versões escolares, simplificadas e mais baratas); no mundo anglófono as obras de referência são o Lewis & Short e o Liddel & Scott. Estes dicionários, publicados pela Oxford University Press, estão sob domínio público (são obras do século xix) e encontram-se disponíveis na internet (por exemplo no portal Perseus). Dicionários mais elementares são os editados por James Morwood, mas facilmente se tornam demasiado simples quando se avança no estudo.

Reforço a ideia do início: quem está a começar a aprender línguas clássicas não tem necessidade nenhuma de usar dicionário. A melhor estratégia é adquirir vocabulário a partir do método de latim ou de grego que escolheu. Lendo, relendo, repetindo a leitura dos textos adquire-se mais vocabulário do que fazendo listas e decorando significados.

título e imagem de cabeçalho

O título deste blogue é uma expressão de Aquilino Ribeiro que ocorre na última frase do segundo volume de Luís de Camões: Fabuloso. Verdadeiro (Amadora: Bertrand, 1974; 1.ª ed. 1958), que se lê: «Tudo se há-de passar como se estivéssemos no Liceu antes de entrar Aristóteles.»
No cabeçalho, pormenor da «Escola de Atenas» (Scuola di Atene), de Rafael Sanzio, terminada em 1511. A imagem foi retirada dos Wikipedia Commons e encontra-se sob domínio público.

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