Saltar para: Post [1], Pesquisa e Arquivos [2]

Antes de Entrar Aristóteles

Tudo se há-de passar como se estivéssemos no Liceu

Tudo se há-de passar como se estivéssemos no Liceu

Antes de Entrar Aristóteles

17
Abr18

Flexibilização curricular

Ricardo Nobre

Sou muito favorável à flexibilidade curricular como princípio. As escolas podem escolher cerca de 20 % do currículo nacional, único e oficial, para desenvolver outras actividades. Aplicado às disciplinas de Português, Literatura Portuguesa, Geografia, História e outras, a flexibilização permitiria que os alunos adquirissem conhecimentos (e não «competências», sublinhe-se) sobre a sua região: a história de Portugal pode relacionar-se, em muitas regiões, com a história local. Isto valoriza o património que cada um tem ao pé de si e sensibiliza o aluno para contextos nacionais e até internacionais. Saber que aquela praia ao pé da escola foi a mesma onde desembarcaram as tropas liberais no século XIX ou que foi daquele ponto que partiram as naus para a tomada de Ceuta no XV é muito positivo e desenvolve um sentimento de necessidade de preservação da identidade enquanto conceito histórico-cultural.
Do mesmo modo, para aprender literatura portuguesa não é preciso ler apenas as obras do currículo nacional: impõe-se a necessidade de alunos de Trás-os-Montes lerem Trindade Coelho, os do Minho, Camilo, os de Lisboa Eça, os de Faro, António Ramos Rosa, os da Beira, Aquilino Ribeiro, os de Évora, Vergílio Ferreira e por aí fora. A ligação à terra em que nascemos torna-se motivo nacional que potencia o interesse e aumenta a cultura geral. Privilegiando a ligação das regiões com autores que as narraram é verdadeiramente estimulante e articula-se facilmente com a história da literatura portuguesa.
O meu problema com a flexibilização curricular em curso é que tenho a impressão que não é isto que está a acontecer.

título e imagem de cabeçalho

O título deste blogue é uma expressão de Aquilino Ribeiro que ocorre na última frase do segundo volume de Luís de Camões: Fabuloso. Verdadeiro (Amadora: Bertrand, 1974; 1.ª ed. 1958), que se lê: «Tudo se há-de passar como se estivéssemos no Liceu antes de entrar Aristóteles.»
No cabeçalho, pormenor da «Escola de Atenas» (Scuola di Atene), de Rafael Sanzio, terminada em 1511. A imagem foi retirada dos Wikipedia Commons e encontra-se sob domínio público.

memória

  1. 2020
  2. J
  3. F
  4. M
  5. A
  6. M
  7. J
  8. J
  9. A
  10. S
  11. O
  12. N
  13. D
  14. 2019
  15. J
  16. F
  17. M
  18. A
  19. M
  20. J
  21. J
  22. A
  23. S
  24. O
  25. N
  26. D
  27. 2018
  28. J
  29. F
  30. M
  31. A
  32. M
  33. J
  34. J
  35. A
  36. S
  37. O
  38. N
  39. D
  40. 2017
  41. J
  42. F
  43. M
  44. A
  45. M
  46. J
  47. J
  48. A
  49. S
  50. O
  51. N
  52. D

classificados

Procuro Vocabulário da Língua Portuguesa, de Francisco Rebelo Gonçalves (Coimbra Editora, 1966). Caso esteja interessado/a em vender-mo (a qualquer preço) ou se sabe onde o posso encontrar, agradeço o contacto.