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Antes de Entrar Aristóteles

Tudo se há-de passar como se estivéssemos no Liceu

Tudo se há-de passar como se estivéssemos no Liceu

Antes de Entrar Aristóteles

01
Out19

Gostar e não gostar

ou como apreciar um livro sem parecer ignorante

Ricardo Nobre

O título do «manual de escrita criativa» de Mário de Carvalho, Quem Disser o Contrário É porque Tem Razão, baseia-se numa antiga história que reproduzo:

Uma mulher queixa-se a um juiz: «A minha vizinha roubou-me a cabra, o mel e o homem. Faz-me justiça.» E o juiz diz-lhe: «Tens razão.» Mal ela sai, rompe a vizinha pela casa do juiz aos gritos: «Foste enganado por aquela mulher. O homem, a cabra e o mel sempre foram meus. Ela é que mos roubou.» «Tens razão», confirma o juiz. A mulher do juiz, que tinha ouvido tudo, interpelou-o, agastada: «como é que foste dar razão a duas criaturas que afirmam exactamente o contrário?» Responde o juiz: «Tens razão.»

Dando ouvidos ao Padre D. Rafael Bluteau (o autor do primeiro dicionário de português, o Vocabulário Português e Latino), assumiremos que só um(a) leitor(a) mais desprevenido/a dirá sobre um livro «não gosto» porque, defende o lexicógrafo, «ninguém despreza aquilo que sabe».

Dir-se-á, portanto, que a (grande) literatura tem sempre razão: o leitor apenas tem de a descobrir. E se não gosta é porque (em princípio) não percebeu.

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título e imagem de cabeçalho

O título deste blogue é uma expressão de Aquilino Ribeiro que ocorre na última frase do segundo volume de Luís de Camões: Fabuloso. Verdadeiro (Amadora: Bertrand, 1974; 1.ª ed. 1958), que se lê: «Tudo se há-de passar como se estivéssemos no Liceu antes de entrar Aristóteles.»
No cabeçalho, pormenor da «Escola de Atenas» (Scuola di Atene), de Rafael Sanzio, terminada em 1511. A imagem foi retirada dos Wikipedia Commons e encontra-se sob domínio público.

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