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Antes de Entrar Aristóteles

Tudo se há-de passar como se estivéssemos no Liceu

Tudo se há-de passar como se estivéssemos no Liceu

Antes de Entrar Aristóteles

03
Jan20

Lisbalbúrdia

Da série Lisboa para vir ver e não para viver

Ricardo Nobre

aqui falei dos ruídos excessivos nas cidades, e tenho de insistir no assunto porque parece que um navio no Tejo incomodou os habitantes e turistas de Lisboa que queriam dormir1. Por precaução, em situações de nevoeiro, os navios são aconselhados a usar a sirene. De novo, fala-se em poluição sonora, mas:

  • quer-se o aeroporto no centro da cidade;
  • acha-se normal haver festa em vários espaços ao ar livre, mesmo rente a zonas habitacionais;
  • as obras são muitas, mas vão começar as piores de todas (as do metropolitano);
  • está barulho, mas usa-se a buzina porque o carro da frente não arranca no segundo em que o semáforo fica verde ou o peão está a fazer travessia na via adequada;
  • o barulho é excessivo, mas onde existem parques querem restaurantes e animação, derrube de árvores e chinfrineira;
  • reclama-se da sirene do navio por causa da segurança, mas acha-se bem o fogo-de-artifício que andou a estalar em Lisboa muito antes e muito depois da meia-noite da passagem de ano (foram pelo menos quatro dias de estouros, sempre à noite, naturalmente), afinal, é bonito — melhor seria se um cacilheiro tivesse abalroado o navio, sempre era mais silencioso e atraente para mirones.

Não é o progresso, é a falta de planeamento.

1 Vivo a poucos metros do Tejo e não ouvi nada. Ou então pensei que fosse mais um piquenique electrónico (em inglês e com k, claro) num jardim qualquer.

título e imagem de cabeçalho

O título deste blogue é uma expressão de Aquilino Ribeiro que ocorre na última frase do segundo volume de Luís de Camões: Fabuloso. Verdadeiro (Amadora: Bertrand, 1974; 1.ª ed. 1958), que se lê: «Tudo se há-de passar como se estivéssemos no Liceu antes de entrar Aristóteles.»
No cabeçalho, pormenor da «Escola de Atenas» (Scuola di Atene), de Rafael Sanzio, terminada em 1511. A imagem foi retirada dos Wikipedia Commons e encontra-se sob domínio público.

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