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Antes de Entrar Aristóteles

Tudo se há-de passar como se estivéssemos no Liceu

Tudo se há-de passar como se estivéssemos no Liceu

Antes de Entrar Aristóteles

14
Out19

Morreu Harold Bloom

Da série mundo a perder referências

Ricardo Nobre

São poucos os professores que nos fazem mudar a forma de olhar para a literatura. Harold Bloom (1930-2019) foi um pensador da literatura que revalorizou a tradição, deu-lhe um sentido novo e definiu-a dentro de parâmetros que foram, depois do estruturalismo, perdendo relevo nos estudos literários, em favor dos estudos culturais em que aqueles se transformaram. Foi um teórico, autor de uma obra de grande envergadura, sabedoria e interesse, pelas ideias que defendeu — entre as quais Shakespeare era Deus, como hoje recorda o Expresso. Entre nós são mais conhecidas O Cânone Ocidental — definido a partir de Shakespeare — e a Angústia da Influência — onde estuda como um autor novel passa por seis fases de formação até encontrar a sua voz.

Como todos os pensadores, pode concordar-se com o que diz ou debater-se sobre a forma como argumenta, mas dificilmente merece que a notícia da sua morte tenha pelo menos três vezes o adjectivo «polémico» (aguardamos a reescrita da necrologia por Luís Miguel Queirós). O Professor Bloom foi — com Todorov e Barthes — um dos mais importantes teóricos da literatura da segunda metade do século XX. Era e é um célebre crítico: polémico é não ter uma ideia sobre literatura e escrever nos jornais sobre livros.

 

Actualizado dia 15 de Outubro de 2019 às 17h23: Conforme intuí, a necrologia de Luís Miguel Queirós foi publicada aqui. Infelizmente, mantém algumas formulações da notícia original, mas em compensação resume as apreciações do professor de Yale sobre a literatura portuguesa (Camões, Saramago e Pessoa, sobre os quais tinha uma opinião que, em grande parte, partilho). A Academia não «torce o nariz» a Bloom pelo simples facto de a Academia não ser um corpo único e inerte, mas contemporizar várias opiniões diferentes (como saudavelmente convém). Bloom foi um grande leitor e um dos mais importantes pensadores sobre o fenómeno literário.

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título e imagem de cabeçalho

O título deste blogue é uma expressão de Aquilino Ribeiro que ocorre na última frase do segundo volume de Luís de Camões: Fabuloso. Verdadeiro (Amadora: Bertrand, 1974; 1.ª ed. 1958), que se lê: «Tudo se há-de passar como se estivéssemos no Liceu antes de entrar Aristóteles.»
No cabeçalho, pormenor da «Escola de Atenas» (Scuola di Atene), de Rafael Sanzio, terminada em 1511. A imagem foi retirada dos Wikipedia Commons e encontra-se sob domínio público.

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