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Antes de Entrar Aristóteles

Tudo se há-de passar como se estivéssemos no Liceu

Tudo se há-de passar como se estivéssemos no Liceu

Antes de Entrar Aristóteles

19
Abr19

Ninguém ficou paralisado. Só o discernimento

Ricardo Nobre

Agora que deixei de ser assinante do Público, deixei de saber o que se passa nas redes sociais, excepto quando algum amigo mais temerário faz questão de me incluir num mundo de que eu conscientemente não quero participar. Estou ainda informado quanto a notícias portuguesas verdadeiramente importantes: tal como em respeito ao incêndio em Notre-Dame, recebi no telefone de bolso notificação de órgãos de informação estrangeiros sobre o acidente na Madeira. Não preciso saber ao minuto qual é o próximo familiar de ministro que entra no governo.

Enfim: não sabia que havia greve de gasolineiros, por isso afirmaria que quem anda na rua (mesmo nos principais eixos viários de Lisboa, a pé, de metro, de autocarro ou de comboio) não deu por nada; quem está sempre com o dedinho no mostrador das redes sociais achou que a gasolina ia acabar (talvez por ter tido a intuição de que o negócio dos combustíveis é pouco rentável). Os jornalistas portugueses, assumindo, é claro!, o seu papel de profetas esclarecidos no comando do povo, anunciaram na quarta-feira passada menos trânsito em Lisboa por causa da carência de combustível. Ninguém ligou ao facto de ter sido o primeiro dia de férias nas universidades (a Pordata indica que em Lisboa havia, em 2018, cento e dezasseis mil seiscentos e setenta e três estudantes matriculados no ensino superior). Quando as aulas recomeçarem na próxima semana, talvez informem quem acredita no que eles se arrogam dizer que os efeitos da greve passaram porque voltou a haver trânsito.

título e imagem de cabeçalho

O título deste blogue é uma expressão de Aquilino Ribeiro que ocorre na última frase do segundo volume de Luís de Camões: Fabuloso. Verdadeiro (Amadora: Bertrand, 1974; 1.ª ed. 1958), que se lê: «Tudo se há-de passar como se estivéssemos no Liceu antes de entrar Aristóteles.»
No cabeçalho, pormenor da «Escola de Atenas» (Scuola di Atene), de Rafael Sanzio, terminada em 1511. A imagem foi retirada dos Wikipedia Commons e encontra-se sob domínio público.

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