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Antes de Entrar Aristóteles

Tudo se há-de passar como se estivéssemos no Liceu

Tudo se há-de passar como se estivéssemos no Liceu

Antes de Entrar Aristóteles

13
Jun19

O interruptor

Ricardo Nobre

Até à última crónica de opinião (mencionada neste blogue), os textos de Fernanda Câncio no sítio da TSF eram acompanhados da mensagem «a autora não escreve segundo o Acordo Ortográfico de 1990» (itálico original). O texto com data de ontem já não tem essa informação e segue a norma ortográfica do Acordo Ortográfico de há quase trinta anos.

Cada falante é livre de falar e escrever como quiser. Por comodidade, convém que faça uso de um sistema reconhecido pela restante comunidade; por boa-educação, é aconselhável que escreva sem erros ortográficos. Fora isso, apenas requeiro que em meios de comunicação social de referência a língua seja usada com correcção e com a dignidade que merece. Por isso, sendo eu profundamente contra as regras ortográficas do tal Acordo Ortográfico (porque entendo a ortografia de uma forma muito diferente de quem é a favor ou contra as «novas» regras), também não me ofendo que pessoas inteligentes o adoptem na sua escrita. A reflexão que a grafia do último texto de Fernanda Câncio me suscita é: qual é o ponto em que uma pessoa decide que chegou o momento de abandonar uma ortografia que, embora com alguns problemas, é muito mais segura do que a que se encontra mais difundida pelos jornais?

Já tenho ouvido vários motivos por que o fazem. Aqueles que me dão mais alegria dizem respeito à interacção com os filhos porque leio há muitos anos literatura em português dos séculos xv, xvi, xvii, xviii, xix e xx e nunca tive dificuldades em compreender o que lá estava escrito por causa da ortografia — e não quero acreditar que um falante de português que está a terminar o primeiro ciclo do ensino básico não consiga perceber o que o pai ou a mãe lhe querem dizer quando escrevem «óptimo» ou «acção».

título e imagem de cabeçalho

O título deste blogue é uma expressão de Aquilino Ribeiro que ocorre na última frase do segundo volume de Luís de Camões: Fabuloso. Verdadeiro (Amadora: Bertrand, 1974; 1.ª ed. 1958), que se lê: «Tudo se há-de passar como se estivéssemos no Liceu antes de entrar Aristóteles.»
No cabeçalho, pormenor da «Escola de Atenas» (Scuola di Atene), de Rafael Sanzio, terminada em 1511. A imagem foi retirada dos Wikipedia Commons e encontra-se sob domínio público.

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