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Antes de Entrar Aristóteles

Tudo se há-de passar como se estivéssemos no Liceu

Tudo se há-de passar como se estivéssemos no Liceu

Antes de Entrar Aristóteles

10
Fev18

O relatório da OCDE sobre o ensino superior

Ricardo Nobre

Fez ontem a manchete do Público e suponho que continuem as reacções ao relatório que a Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Económico pelos próximos dias. E é bom que haja um debate além dos quatro dias de réplicas porque o relatório é mesmo muito interessante (vou usar informações dos jornais e não do relatório em si porque não o li nem vou ler).

Começo por notar que a subordinação do ensino superior ao desenvolvimento económico parece um retrocesso civilizacional (que tem, aliás, muitos exemplos recentes de estar a acontecer diante dos nossos olhos). Não estou a dizer que o ensino superior tenha de andar desligado das realidades económicas do país, mas não pode ser um mero instrumento ao serviço das empresas. Uma coisa é aumentar as vagas nas licenciaturas e doutoramentos em áreas de que a economia precise, outra é erudir o financiamento público de universidades públicas, substituindo-o por financiamentos privados, pago por empresas que têm objectivos diferentes dos da República. A Universidade tem de ser um espaço independente porque é no seu seio que evolui o conhecimento. As empresas, desculpem lá dizer, interessam-se pelo lucro, não com o saber.

A redefinição da FCT enquanto agência de financiamento da ciência é igualmente questionável, mas não vou comentar as alterações propostas.

Quando se lembraram de criar politécnicos, foi para formar técnicos competentes em áreas técnicas. As pessoas iam lá estudar uns anos e saíam para trabalhar como técnicos nas ditas empresas. A preocupação com os doutoramentos que os politécnicos podem passar a conferir indicia que estamos como as Novas Oportunidades: faz uma composição sobre as férias de Natal e toma lá o 12.º ano. Só que agora é porque Portugal tem poucos doutorados.

título e imagem de cabeçalho

O título deste blogue é uma expressão de Aquilino Ribeiro que ocorre na última frase do segundo volume de Luís de Camões: Fabuloso. Verdadeiro (Amadora: Bertrand, 1974; 1.ª ed. 1958), que se lê: «Tudo se há-de passar como se estivéssemos no Liceu antes de entrar Aristóteles.»
No cabeçalho, pormenor da «Escola de Atenas» (Scuola di Atene), de Rafael Sanzio, terminada em 1511. A imagem foi retirada dos Wikipedia Commons e encontra-se sob domínio público.

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