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Antes de Entrar Aristóteles

Tudo se há-de passar como se estivéssemos no Liceu

Tudo se há-de passar como se estivéssemos no Liceu

Antes de Entrar Aristóteles

02
Set17

Setembro começa como Agosto: como se não houvera literatura portuguesa contemporânea

Ricardo Nobre

No «Ípsilon» (suplemento do Público) de ontem, nota-se a completa ausência da literatura portuguesa. No entanto, refira-se que esta semana foram publicadas entrevistas (uma na quinta, outra ontem, dia 1 de Setembro) a dois escritores portugueses, embora a literatura tenha sido um tema muito secundário. De qualquer maneira, vale a pena ler a entrevista a Alice Vieira (por Bárbara Wong) e sobretudo ao escritor Marcello Duarte Mathias (que Isabel Lucas entrevista sobretudo por ser ex-embaixador; para mim, é quase como pensar em Eça de Queirós como cônsul e não enquanto escritor). A propósito de literatura, no Público de hoje, dia 2, publica-se uma entrevista com Sousa Lara, responsável pela censura do Estado Português (sendo primeiro-ministro Cavaco Silva1) à participação de O Evangelho Segundo Jesus Cristo, de José Saramago, a um prémio literário internacional. Mais de vinte anos depois, o responsável (professor catedrático, claro está) entende que fez bem e afirma (talvez sem ter lido o livro, convenhamos): «Um livro que insulta a divindade, que é o que o livro faz num país que, mal ou bem, tem como referência a Bíblia, é um insulto à cultura portuguesa». A proposta de Saramago, muito superior à filosofia corrente e cujo debate não cabe neste espaço (Aristóteles ainda não entrou), é um desafio à religião estabelecida, mas não nega os seus fundamentos e muito menos a divindade de Jesus, embora coloque ao seu lado tanto Deus como o Diabo.

Hoje, o Expresso traz uma entrevista ao coordenador da programação cultural da Feira do Livro do Porto (começou ontem e termina dia 17) e que pretende «explor[ar] as várias dimensões da palavra». Sophia de Mello Breyner Andresen é a autora homenageada. Na «E», Diogo Ramada Curto escreve sobre o Neo-Realismo e Pedro Mexia faz a recensão do livro de ensaios de Helder Macedo sobre Camões e outros contemporâneos (com ensaios sobre diversas épocas da nossa literatura).

1 Os nomes devem ser ditos para que a memória não os esqueça.

título e imagem de cabeçalho

O título deste blogue é uma expressão de Aquilino Ribeiro que ocorre na última frase do segundo volume de Luís de Camões: Fabuloso. Verdadeiro (Amadora: Bertrand, 1974; 1.ª ed. 1958), que se lê: «Tudo se há-de passar como se estivéssemos no Liceu antes de entrar Aristóteles.»
No cabeçalho, pormenor da «Escola de Atenas» (Scuola di Atene), de Rafael Sanzio, terminada em 1511. A imagem foi retirada dos Wikipedia Commons e encontra-se sob domínio público.

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