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Antes de Entrar Aristóteles

Tudo se há-de passar como se estivéssemos no Liceu

Tudo se há-de passar como se estivéssemos no Liceu

Antes de Entrar Aristóteles

06
Jun19

Todos os Nomes

Ricardo Nobre

O romance de José Saramago foi traduzido para a vida de Fernanda Câncio, jornalista que, como neste momento milhares de portugueses e portuguesas, tem o cartão de cidadão caducado e que, por isso, não pode receber, mesmo em casa, uma carta registada.

É muito engraçado que, como a jornalista menciona, se possa viajar de avião ou votar sem cartão de cidadão, mas não seja possível receber na nossa morada uma carta que nos é dirigida. Parece que esse impedimento só acontece em casos como os CTT… ou a CP. Já assisti, no Alfa Pendular, esse serviço inqualificável dos comboios portugueses, o revisor a exigir que um passageiro (que tinha uma cópia do CC, mas que viajava sem o documento, de que se esquecera numa máquina de venda de tabaco) a compra de um novo bilhete, sob pena de ser multado e «chamadas as autoridades». Claro que é este é um diligente revisor que, a partir desse dia, deixou de receber nas suas mãos o meu cartão de cidadão. Em rigor, trata-se de um documento pessoal e intransmissível e, se o quiser ver, vê-o nas minhas mãos. O revisor pode ter recebido o poder da CP de ser autoridade dentro do comboio, mas ainda não é quem manda em mim. E, que raio, que interessa se, a menos em casos em que é preciso provar a idade, o nome que consta no bilhete é daquele passageiro ou da vizinha?

título e imagem de cabeçalho

O título deste blogue é uma expressão de Aquilino Ribeiro que ocorre na última frase do segundo volume de Luís de Camões: Fabuloso. Verdadeiro (Amadora: Bertrand, 1974; 1.ª ed. 1958), que se lê: «Tudo se há-de passar como se estivéssemos no Liceu antes de entrar Aristóteles.»
No cabeçalho, pormenor da «Escola de Atenas» (Scuola di Atene), de Rafael Sanzio, terminada em 1511. A imagem foi retirada dos Wikipedia Commons e encontra-se sob domínio público.

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