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Antes de Entrar Aristóteles

Tudo se há-de passar como se estivéssemos no Liceu

Tudo se há-de passar como se estivéssemos no Liceu

Antes de Entrar Aristóteles

01
Jun20

Um escritor

Ricardo Nobre

— Se ele tinha inteligência — disse António Joaquim — fizesse­-­se escritor.
Ouvido isto, benzi­-me, pus os olhos no céu, e disse:
— A providência divina houve por bem endoidecê-­lo pelos processos ordinários da loucura vulgar, antes de lhe incutir a loucura extraordinária de fazer­-se escritor em Portugal. Que paradoxo! A inteligência do teu amigo não lhe abriu as portas do funcionalismo público? Não: pois bem; faça-­se dessa inteligência alguma coisa! Um escritor — o derradeiro mester em que pode ser aproveitado esse raio luminoso do coração de Deus!…
Ó meu amigo, o máximo favor que um português pode receber do céu é endoidecer, na véspera de fazer-­se escritor público!*

Faz hoje 130 anos que morreu Camilo Castelo Branco (1825-1890).

 

* Cito Vinte Horas de Liteira (Lisboa: Imprensa Nacional-Casa da Moeda, pp. 218-219)

título e imagem de cabeçalho

O título deste blogue é uma expressão de Aquilino Ribeiro que ocorre na última frase do segundo volume de Luís de Camões: Fabuloso. Verdadeiro (Amadora: Bertrand, 1974; 1.ª ed. 1958), que se lê: «Tudo se há-de passar como se estivéssemos no Liceu antes de entrar Aristóteles.»
No cabeçalho, pormenor da «Escola de Atenas» (Scuola di Atene), de Rafael Sanzio, terminada em 1511. A imagem foi retirada dos Wikipedia Commons e encontra-se sob domínio público.

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